PSICANALISTA ONLINE| Atendimento Psicanalítico ONLINE: PRÁTICO ou PRÁXIS?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por que até 20 consultas online? E depois? O que é orientação psicanalítica?

 

 

O Conselho Federal de Psicologia define os serviços de atendimento psicológico online por seus aspectos: “pontuais, informativos, focados no tema proposto [pelo usuário]”, podendo ser de “diversos tipos”. Diferenciandos-o, assim, do atendimento psicoterapêutico em caráter experimental que recai no âmbito da pesquisa científica, previsto com suas leis.

 

Poderíamos inferir apressadamente que algumas vertentes da psicologia, inclusive entre as da psicanálise, seriam mais afeitas ao modelo proposto uma vez que possuem em seu escopo teórico premissas de brevidade compatíveis. Porém, justamente nesses casos, o atendimento online se configuraria uma forma de psicoterapia com seu início, meio e fim, o que não é o intuito do programa. A única ou as vinte sessões não correspondem a um processo psicoterapêutico. Ou seja, tal premissa refere-se menos a duração cronológica do serviço do que a sua qualidade informativa no campo da psicologia.

 

Contudo, não se pode confundir o aspecto informativo com técnicas de sugestão. Tampouco com a troca de dados isenta de implicação, dotada de pretensa imparcialidade do profissional, pautada no ideal de anamnese da medicina clássica. O que minha experiência clínica tem evidenciado, principalmente na atuação em Plantões psicológicos de atendimento a comunidade, é que toda interação que se faz no lugar de um saber – o da psicologia nesse caso –, é interventiva, passível de efeitos e consequências, ainda que independente de valor interpretativo a priori. Ignorar esse fato não nos exime da responsabilidade sobre nossos atos e do questionamento sobre a que respondemos no exercício profissional. Da mesma forma, nomear os atendimentos online de “não presenciais” ou “virtuais” não exclui a possibilidade de aí ocorrer algo da ordem de um encontro. Ademais, a apresentação de um sofrimento jamais é igual a outra. Nesse sentido,

 

 

privilegiar o singular na palavra daquele que a toma 

comporta direção, intervenção e decisão.

 

 

Assim, antes de pretender corroborar com uma discussão inócua de eleição de linhas teóricas mais ou menos propícias a modalidade da atividade, a questão parece apontar para a necessidade de um posicionamento e de fundamentação (quiçá de formalização) da Práxis da parte daquele que se propõe a escuta, seja em seu próprio fazer clínico, aos pares, a categoria, a sociedade.

 

A psicanálise de orientação lacaniana, enquanto método de tratamento do sofrimento psíquico e de investigação textual, ao acolher e reconhecer o limite, permite-nos abordar essa questão em sua especificidade. No nosso entender, as disposições do CFP podem e devem ser respeitadas considerando que a situação exige normas de regulamentação próprias de acordo com o contexto “relativamente novo” em que se insere.

 

Porém, se Freud e Lacan não abordaram o tema internet, ainda que tenham aproximado suas especulações em muito do debate atual sobre a técnica (assim como o fez Heidegger, entre outros pensadores), o argumento aqui não é novo. Trata-se de um momento inicial que poderemos considerar “pré-analítico”, caso ocorra, após esse tempo, uma psicanálise. Assim como as primeiras sessões de análise no consultório físico, e mais precisamente, as entrevistas preliminares. Ou seja,

 

 

orienta-se pela mesma lógica e ética que sustenta 

toda escuta clínica dita psicanalítica.

 

 

Assim, após o atendimento online, a cada vez, decide-se sobre o destino do atendimento, o início ou não de sessões no consultório físico, o encaminhamento a outro profissional da saúde etc. Afinal, a disponibilidade ao método independe da contabilidade do número de encontros e de uma garantia no espaço físico empregado. Isto é, questões podem persistir ou uma demanda que seja própria formular-se, desde aquele que fala, em qualquer tempo, ou melhor: em seu tempo.

 

  “Psicanalista, antes de ser uma profissão, aponta para uma função que não opera todo o tempo em uma análise e nem mesmo se restringe ao espaço físico do consultório. Aposta, sem garantias. Para além do setting e da mera aplicação teórica. Por essa via, é possível a política da psicanálise se fazer atual, ou seja, em ato, nas mais diversas conjunturas sociais e na cultura”. (KIE, 2015)

 

 

 

 

 

* Por Luciana Kie, Psicanalista.  Em Atendimento Online por skype.

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